App SUPERCASA - Descobre a tua nova casa
App SUPERCASA
Descobre a tua nova casa
Abrir
App SUPERCASA - Descobre a tua nova casa
App SUPERCASA
Descobre a tua nova casa
Abrir
Notícias do Mercado Imobiliário
Categorias
Imobiliário

Casas prontas a habitar: solução esquecida em Portugal

20 AGOSTO 2025
Tópicos
Imóveis Mercado Imobiliário Portais Imobiliários IHRU Habitação Acessível Habitação Social Mais Habitação
Casas prontas para habitar em Portugal são 250 mil fora do mercado. Saiba o que significa este bloqueio e como pode impactar o futuro da habitação.
casas prontas a habitar, ihru, imovel desocupado, supercasa
Fonte: Adobe Stock
Autor: Redação

250 mil casas prontas a habitar é o que revela o estudo recente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, que estão fora do mercado, nem disponíveis para venda, nem para arrendamento. Em paralelo, mais de 700 mil imóveis encontram-se desocupados, dos quais uma parte substancial poderia, em teoria, responder de forma imediata à crise habitacional.

Este contraste é particularmente evidente nos concelhos com maior pressão imobiliária, como Lisboa, Porto e Sintra, onde a procura supera largamente a oferta e, no entanto, milhares de habitações permanecem encerradas. A questão não se prende com a inexistência de parque habitacional, mas sim com a sua má afetação, a especulação e problemas legais ou burocráticos que impedem que estas casas cheguem a quem mais precisa.

Lisboa e Porto no centro da contradição

É nas áreas metropolitanas, onde os preços atingem valores historicamente elevados, que se concentram mais casas prontas a habitar mas desocupadas. Lisboa lidera a lista com mais de 21 mil imóveis nesta situação, seguida por municípios como Sintra, Porto e Coimbra. Esta concentração gera uma contradição gritante: há imóveis suficientes para atenuar a crise, mas a ausência de medidas eficazes impede que sejam integrados no mercado.

Em muitos destes concelhos, a média de habitações disponíveis supera a média de agregados familiares. Ou seja, existem mais casas do que famílias, mas estas não estão acessíveis. O resultado é um mercado inflacionado que não reflete a realidade do parque habitacional efetivo.

O impacto das políticas e da especulação

Ao longo da última década, políticas como os vistos gold e a expansão do alojamento local deslocaram grande parte da oferta para segmentos de luxo ou para o turismo. Isso restringiu ainda mais as opções para residentes. Com milhares de casas prontas a habitar retidas como investimento, a especulação imobiliária tomou protagonismo sobre a função social da habitação.

Ao mesmo tempo, a redução do parque público agravou esta escassez artificial. O Estado tem alienado imóveis em vez de os reabilitar e disponibilizar para arrendamento acessível. O resultado é um círculo vicioso em que o preço sobe continuamente, mesmo quando o número de casas em bom estado disponíveis é claramente suficiente para responder à procura.

Sobreoferta ou má gestão habitacional?

Um dos pontos centrais do estudo é a revelação de que Portugal tem, em média, 1,4 habitações por família. Este valor evidencia que não há uma falta estrutural de imóveis, mas sim uma má gestão habitacional. O problema não reside no número absoluto de edifícios, mas sim no destino que lhes é dado.

Cerca de 64% do parque habitacional nacional encontra-se em situação de sublotação, o que significa que existem moradias e apartamentos com muito mais espaço do que o necessário. Em contrapartida, aproximadamente 500 mil imóveis estão sobrelotados, mostrando um forte desequilíbrio na forma como as casas são ocupadas.

Se as casas prontas a habitar fossem integradas no mercado, poderiam não apenas aliviar a pressão sobre os preços, como equilibrar a relação entre oferta e procura, tornando o acesso ao arrendamento ou à compra mais justo.

O peso da sobrecarga financeira das famílias

Mesmo quando existem habitações disponíveis, a questão do preço continua a ser um entrave brutal. Em mais de metade dos concelhos do país, o rendimento mediano não é suficiente para adquirir uma casa ao preço médio sem entrar em sobrecarga financeira. No caso do arrendamento, a situação é ainda mais grave: em 238 concelhos, 77% do total, não se consegue arrendar ao valor médio sem comprometer mais de 35% do rendimento mensal de uma família.

Estas condições fazem com que, apesar de o número de habitações ser suficiente, muitas acabem por permanecer fora do alcance da população. A injustiça é dupla: casas sem moradores e moradores sem casa.

Caminhos para desbloquear o mercado

A existência de 250 mil casas prontas a habitar deveria ser vista como uma oportunidade estratégica para o país. Medidas como a simplificação dos mecanismos de heranças, incentivos fiscais para a disponibilização de imóveis em arrendamento, maior transparência no mercado e reforço do parque público poderiam ajudar a libertar estas casas.

Ao mesmo tempo, seria necessário criar confiança entre proprietários e entidades públicas, garantindo segurança jurídica e fiscal. A aposta em programas de mediação imobiliária poderia acelerar processos e trazer rapidamente para o mercado casas que já estão em condições de ser habitadas.

Conclusão: um recurso por explorar

Portugal não sofre de uma carência estrutural de habitação, mas sim de um bloqueio na oferta. As casas prontas a habitar representam um recurso desperdiçado que, se devidamente aproveitado, poderia reduzir significativamente os preços do arrendamento e da compra, aliviar a pressão nos centros urbanos e devolver vitalidade a inúmeras zonas.

O futuro da habitação em Portugal dependerá da capacidade de transformar este património inativo em soluções reais para quem procura um lar. Mais do que construir novas casas, é urgente usar as que já existem e que, por inércia ou especulação, permanecem vazias.
Tópicos
Imóveis Mercado Imobiliário Portais Imobiliários IHRU Habitação Acessível Habitação Social Mais Habitação
Notícias mais lidas
Reconstruir uma casa antiga pode não exigir licença
IHRU abre concurso para 77 casas a renda acessível
Novas regras mudam o mercado de arrendamento
Vender uma casa em 2026: Guia para proprietários
Queres receber as últimas Super Notícias?
pixel