A construção emprega 400,4 mil trabalhadores, o valor mais elevado desde 2011, enquanto o crédito à habitação também continua a crescer.
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Autor: Redação
Construção ganha força no mercado nacional
A construção portuguesa atravessa uma fase de maior atividade, com o emprego no setor a atingir 400,4 mil trabalhadores no segundo trimestre. O valor representa um crescimento de 11,2% face ao mesmo período do ano anterior e corresponde a 7,4% do emprego total no país.
Os dados divulgados pela AICCOPN mostram também uma evolução positiva da construção em vários indicadores. Entre abril e junho, o investimento em construção aumentou 1,8% em termos homólogos, enquanto o Valor Acrescentado Bruto (VAB) do setor cresceu 1,6%.
Este desempenho acompanha a evolução da economia nacional. No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) registou um crescimento homólogo de 2,5% e avançou 0,8% em cadeia.
Crédito à habitação acompanha a procura
A evolução da construção surge num contexto de maior dinamismo do mercado habitacional. Nos primeiros seis meses do ano, o novo crédito à habitação destinado à compra de imóveis, sem considerar renegociações, chegou aos 12.153 milhões de euros. O montante representa um aumento de 11,3% relativamente ao mesmo período do ano anterior. Também o financiamento associado à construção e às atividades imobiliárias registou uma subida.
Em julho, o stock de crédito concedido às empresas destes setores atingiu 17.791 milhões de euros, mais 9,5% do que um ano antes. A maior disponibilidade de financiamento acompanha, assim, a atividade da construção e o investimento imobiliário.
Mais fogos licenciados em projetos maiores
No segmento residencial, os indicadores da construção apresentam uma evolução distinta entre licenças e novos fogos. Durante o primeiro semestre, foram emitidas 12.660 licenças, menos 8,9% do que no período homólogo. Apesar desta redução, o número de fogos licenciados aumentou 4%. A diferença entre os dois indicadores sugere uma maior dimensão média dos projetos de construção aprovados pelas autarquias. Esta evolução poderá refletir o avanço de empreendimentos habitacionais com mais unidades, num contexto em que a oferta de habitação continua a assumir um papel relevante no mercado.
Custos continuam a pressionar construção
Apesar do crescimento da atividade, a construção continua a enfrentar pressão sobre os custos. Em junho, o custo de construção de habitação nova aumentou 7,2% em termos homólogos. A subida resultou tanto da evolução dos materiais como da mão de obra. Os preços dos materiais cresceram 6,5%, enquanto o custo associado ao trabalho aumentou 8%.
Nas obras públicas, a construção mantém igualmente níveis elevados de atividade, apoiada pelo volume de trabalhos em carteira. Ainda assim, os novos procedimentos apresentam uma evolução menos dinâmica: até ao final de julho, os concursos promovidos totalizaram 4.935 milhões de euros, menos 28% do que no mesmo período do ano anterior.
Os contratos celebrados e registados no Portal BASE somaram 2.504 milhões de euros, também com uma redução homóloga de 28%. Assim, a construção mantém indicadores positivos no emprego e na habitação, embora continue condicionada pela evolução dos custos e pela entrada de novos projetos.